
Rita Lobato Velho Lopes (Rio Grande, 9 de junho de 1866 — Rio Pardo, 6 de janeiro de 1954) foi uma médica, ativista e política brasileira. Nascida prematura de sete meses, a filha de Rita Carolina Velho Lopes e Francisco Lobato Lopes, um rico estancieiro e comerciante de charque gaúcho, é considerada a primeira mulher a se formar e exercer a Medicina no Brasil. Com especialização em obstetrícia, também é titulada como a segunda médica a obter o êxito acadêmico na área em todo o continente sul-americano.
Quem foi Rita Lobato Velho?
Rita Lobato Velho Lopes, nascida em 9 de junho de 1866 em São Pedro do Rio Grande, hoje município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, é uma figura icônica na história do Brasil. Ela foi a primeira mulher a se formar em medicina no país, rompendo barreiras e desafiando as normas sociais de sua época.
Desde jovem, Rita demonstrou uma grande paixão pelo conhecimento e um desejo insaciável de aprender. Filha de um comerciante e uma dona de casa, sua família reconheceu seu talento e a apoiou em sua jornada educacional. Em uma época em que a educação feminina era limitada e direcionada para tarefas domésticas, Rita ousou sonhar mais alto.
Em 1887, aos 21 anos, Rita Lobato ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, uma das mais renomadas instituições de ensino médico do Brasil. Sua presença na faculdade não passou despercebida. Em um ambiente dominado por homens, Rita enfrentou preconceitos e dificuldades, mas sua determinação e competência logo a destacaram como uma aluna exemplar.
Trajetória na faculdade
A trajetória de Rita não foi fácil. Durante seu curso, enfrentou não apenas o rigor acadêmico, mas também o machismo institucionalizado. Mesmo assim, ela perseverou, mostrando uma resiliência extraordinária. Sua tese de conclusão de curso, intitulada “Paralelos entre a vida e a morte, à luz do magnetismo”, foi defendida com brilhantismo, marcando sua entrada oficial na história da medicina brasileira.
Em 10 de dezembro de 1887, Rita Lobato Velho tornou-se a primeira mulher a se formar em medicina no Brasil. Este feito não apenas abriu portas para outras mulheres na medicina, mas também inspirou gerações futuras a seguirem seus próprios sonhos, independentemente dos obstáculos.
Após sua formatura, Rita retornou ao Rio Grande do Sul, onde exerceu a medicina com dedicação e competência. Trabalhou em diversas cidades do estado, sempre pautada pelo compromisso com o bem-estar de seus pacientes. Além de sua atuação médica, Rita foi uma defensora dos direitos das mulheres e do acesso igualitário à educação.
Rita Lobato Velho Lopes faleceu em 6 de janeiro de 1954, deixando um legado imensurável. Sua vida e carreira são um testemunho da força e capacidade das mulheres, mostrando que com determinação e apoio, é possível superar qualquer barreira.
Hoje, Rita Lobato é lembrada não apenas como uma pioneira na medicina, mas como um símbolo de coragem e inspiração. Sua história continua a ser uma fonte de motivação para muitos, provando que o caminho para a mudança começa com a coragem de ser a primeira.
Família
Rita Lobato era muito próxima dos familiares e do marido, já que estes eram seus maiores apoiadores. Enquanto viva, recebeu a notícia da morte de muitos deles com profunda tristeza.
A mãe, Rita Carolina Velho Lopes, faleceu após dar à luz ao décimo quarto filho. Na época, Rita, aos 17 anos, testemunhou a morte da progenitora em decorrência de uma hemorragia grave gerada por complicações no parto e prometeu nunca deixar que a história se repetisse em suas mãos.
Em carta deixada para a família e lida postumamente, Dona Carolina pedia: “Minha filha, se fores médica algum dia, praticas sempre a caridade”. Tais palavras jamais foram esquecidas e a médica atendeu aos desejos da mãe até o fim de seu exercício na Medicina.
Vítima da varíola, um dos irmãos de Rita faleceu em 1885, aos onze anos de idade.
Em 1898, o mais velho entre os treze irmãos veio a falecer em São Paulo.
A morte do pai ocorreu meses depois, no mesmo ano. Francisco Lobato caminhava ao lado de Rita todos os dias até a faculdade, aguardando o fim das aulas e o retorno da filha sentado em frente à praça da instituição. Por essa e outras razões, a doutora encontrava-se verdadeiramente abalada com o fatídico acontecimento.
Um ano após o casamento da filha, em 20 de setembro de 1926, o marido faleceu.
Em 1925, a filha de Rita e Antônio subiu ao altar. Logo após a cerimônia de casamento, a médica decidiu se aposentar e encerrar as atividades na área. O material cirúrgico utilizado em sua antiga clínica foi doado à Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre.
Movimento de apoio ao voto feminino
Com a morte do marido, Rita passou a buscar novas motivações e exercícios. Sob influência da bióloga e ativista Bertha Lutz, passou a apoiar a luta pelo direito ao voto feminino. A partir desse momento, tornou-se parte integrante da causa e teve oportunidade de acompanhar algumas vitórias de perto. O triunfo do Código Eleitoral de 1932 e a eleição da médica Carlota Pereira de Queirós para o Congresso Nacional foram apenas algumas delas.
Morte
Durante os últimos meses de vida, mesmo vítima parcial de deficiência auditiva e visual, manteve-se lúcida e altiva. Rita Lobato Velho Lopes faleceu na Estância de Capivari, em Rio Pardo (Rio Grande do Sul), aos 87 anos, em 6 de janeiro de 1954.